quarta-feira, 25 de maio de 2011

Não Olhe Pra Trás Capital Inicial
Nem tudo é como você quer
Nem tudo pode ser perfeito
Pode ser fácil se você
Ver o mundo de outro jeito

Se o que é errado ficou certo
As coisas são como elas são
Se a inteligência ficou cega
De tanta informação

Se não faz sentido
Discorde comigo
Não é nada demais
São águas passadas
Escolha outra estrada
E não olhe,
Não olhe pra trás

Você quer encontrar a solução
Sem ter nenhum problema
Insistir se preocupar demais
Cada escolha é um dilema

Como sempre estou
Mais do seu lado que você
Siga em frente em linha reta
E não procure o que perder

Se não faz sentido
Descorde comigo
Não é nada demais
São águas passadas
Escolha outra estrada
E não olhe,
Não olhe pra trás

Como sempre estou
Mais do seu lado que você
Siga em frente em linha reta
E não procure o que perder

Se não faz sentido
Descorde comigo
Não é nada demais
São águas passadas
Escolha outra estrada
E não olhe,
Não olhe pra trás


Se não faz sentido
Descorde comigo
Não é nada demais
São águas passadas
Escolha outra estrada
E não olhe,
Não olhe pra trás




http://www.vagalume.com.br/capital-inicial/nao-olhe-pra-tras.html#ixzz1NV6PI067

Nuvem Passageira (Maravilhoso de ouvir)...

Intérpretes: Kleiton & Kledir
Autor: Hermes Aquino

terça-feira, 24 de maio de 2011

Muito Boa!!

Kit gás

Por Burraldas
Comprou sapatos novos. Saltos inéditos, dos quais mal sabia equilibrar. Esforçou-se. Afinal, nada poderia dar errado naquele encontro pré-anunciado por ele ao telefone: “Eu te quero linda nesta noite, minha Lóri. Tenho uma surpresa pra você”.
Lóri era Lorena. O apelido que ela considerava “fofo” vinha do mais novo flerte. Um romance semi-engatado, em marcha lenta, é certo dizer, mas, ainda assim, engatado. Era o que costumava responder para as amigas sempre que perguntavam se ela estava de namoro. Trin-ta-e-um anos, já era hora de um engate, um macaco, uma ferramenta qualquer que ela pudesse fazer bom uso.
- E aí, mãe, como é que estou? – deu meia volta de bumbum empinado para que Dona Glória pudesse conferir o visual.
- Tudo bem que você colocou roupa de jantar, mas acho que pra um almoço na casa dele tá bom assim. Mas lembra do que eu te disse, hein: se o cara sentar na sua frente quer dizer que ele quer casar contigo, mas se sentar do seu lado quer só te comer. – sinceridade pura na Glória, que conseguia ser mais purpurinada que Lorena. E batizou “Lorena” porque diz ser nome sexy.
Sexy ou não, Lorena, quando produzida, até conseguia angariar alguns elogios do chefe, dos peões, dos caras do barzinho que frequentava. Bem na verdade, Lorena andava cansada de elogios vazios. Fazia o tipo romântica-amélia: sexy mesmo ela achava usar aventalzinho curto durante o passar de roupas e/ou receber o esposo (Sim, esposo!) com um prato de sopa quentinha que ela aprontou sozinha. Receita de vovó. A Glória não gostava de cozinhar, achava o ó.
O restaurante combinado para o tal almoço, claro, não era aquele que ela vivia dando indiretas de que gostaria de um dia ir. Pois bem, convite feito, visita anunciada pelo porteiro que, diga-se de passagem, deu uma boa medida na moçoila, como se estivesse tentando reconhecê-la, perguntando-se “Essa já veio aqui?”. E lá estava ele, o flerte engatado, à espera de sua Lóri, escancarando a porta do apartamento onde morava.
Lorena estava ansiosa. Poxa, o cara era liiindo. Suava que era só uma beleza nos calcanhares a escorregar nos saltos novos e desequilibrados. Ele sorriu. Ela sorriu apaixonada. Riso que virou dúvida quando viu aquela cabecinha loira surgir por entre as pernas do dito cujo.
- Então, esta é a surpresa que eu tinha pra você! É minha caçula. Não é linda?
Lorena afirmou com a cabeça e sorriu um riso comedido de uma boca e meia, enquanto a criança exibia o vão nos dentes ainda por nascer. A feição atentada da moleca lhe rendeu um tropeço logo no primeiro pisar de cômodo. E olha que ela pisou com pé direito. O que desencadeou uma gargalhada debochadíssima da pequena que, em seguida, disparou pro quarto.
- Que bonitinha! Ela trouxe as amigas pra almoçar também?
- Não, Lóri. Esta é Isabelle, a do meio, e Mirella, a mais velha. Parece mais comigo, né? É a filha do primeiro casamento.
- Ah, tá…
Mesmo sob olhares de reprovação das meninas, o almoço seguiu. E ele todo empenhado em agradar: botou mesa, deu comida na boca, serviu vinho e até colocou uma música ambiente. Se é que no ambiente cabia mais uma. Mulher ali já tinha muita: no passado, no presente e no futuro de um homem só.
- O que é esse borrão na sua cara? – perguntou a caçula.
Tinha que botar a pinta de nascença de Lorena na janela indiscreta? Tinha. E, dali em diante, Lorena fez que lembrou de um compromisso com uma amiga e despediu-se, sem beijos ou delongas, do kit gás do flerte engatado.
Em casa, arremessou o par de sapatos novos e calou a pensar. A Glória entrou no quarto e não resistiu:
- Não vou nem comentar nada. Mas me responde aqui: de que lado da mesa ele sentou?
- Ele ficou o tempo todo do meu lado. Achei tão fofo!

Você pensa que lecionar é só ensinar gramática e interpretação de textos?

Fatos e Sonhos

Prof ª. Edina Ap. de Freitas Oliveira
Pégaso sobrevoava uma construção antiga, parecida com um castelo, tentava em vão socorrer a Fênix que já construíra o seu ninho mas não conseguia tocar fogo, pois o vento soprava muito forte. Em poucos segundos, talvez, ela não conseguiria renascer... A ave, já enfraquecida, clama por sua ajuda: "Traga uma tocha acesa do Olimpo, por favor, ajude-me!".

Acordo no meio da noite assombrada. Acho que ando lendo muito sobre mitologia grega. De manhã, enxergo um rosto amassado diante da imagem refletida no espelho. Olhos sem brilho, ombros caídos e um sorriso amarelo e amordaçado. O que tu fazes? O que farás? Meu outro "eu" indaga. Uma lembrança da infância vem à tona: "O que você vai ser quando crescer?". Logicamente que seria médica veterinária. "Médica veterinária? Você vai ser professora, isso sim!"
Agora, parece que é o espelho que repete: "Professora, isso sim... professora, isso sim...". Passo um batom vermelho e vou à luta, contudo, o eco permanece durante o percurso para o trabalho, parece a batida compassada de um bumbo ou sino dentro da minha cabeça. "Professora, isso sim..." Uma angústia vai tomando conta de mim e, agora, ouço o sinal bater. Entro na sala de aula e vejo rostos sonolentos:

- Professora, a senhora veio?

- Ué, não era para eu vir? Vamos trabalhar em grupo hoje, vocês fizeram a pesquisa sobre a adolescência? Muito bem, vamos ler os textos, discuti-los e fazer um relatório, tal como combinamos.

Ruídos de carteiras arrastadas pelo chão, os alunos começam a trabalhar. Uma vontade louca de tomar café! De repente, no canto da sala de aula, uma menina chora. O que foi, Joana? A menina chora ainda mais: seus pais estavam se separando e a mãe não queria deixá-la ver o pai. E agora, professora? O que dizer? Você pensa que lecionar é só ensinar gramática e interpretação de textos? Meu alter-ego cutucava com seu espinho.

- Escute, Joana, eu nunca passei por uma situação dessas. Mas creio que qualquer separação é muito difícil, não só para os filhos, como também para os pais. Os pais podem sofrer até mais do que os próprios filhos. Sua mãe também deve estar muito confusa, por isso está tomando essa atitude. Dê tempo ao tempo, procure não discutir com a sua mãe, que mais cedo ou mais tarde ela poderá voltar atrás na sua decisão, entendeu?

Joana parece estar mais tranqüila. Tantos fatos fazem parte do dia-a-dia de um professor. Será que ela ficará bem?

Soa o sinal. Entro em outra sala e encontro os alunos muito alvoroçados. William está olhando distraidamente pela janela: as meninas da sétima série jogam voleibol. Distribuo os livros, lemos o poema José de Carlos Drummond de Andrade e fazemos sua análise. "E agora José, cuspir já não pode..." Parece que Drummond está perguntando para mim: "E agora José, sem cavalo preto, que fuja a galope..." Será que Pégaso conseguirá trazer a tocha do Olimpo? Pégaso, no meu sonho pareceu-me branco, com suas asas magníficas, lembro-me imediatamente daquele cavalo branco que aparece no início dos filmes cinematográficos. Sonho, realidade e fantasia se misturam. Preciso tomar um café urgentemente.

Os alunos começam a prestar a atenção ao poema de Drummond. Vejo olhinhos curiosos, alguns ainda estão sonolentos. "Professora, o que é utopia?" A Fênix ainda pede socorro a Pégaso. Novamente o sonho.

- Vamos procurar no dicionário: "Utopia, alguma coisa imaginária, perfeita, sonhada". E o meu fazer pedagógico, será que é utopia? Meu alter-ego está muito intruso hoje. O importante é esse saber compartilhado, será que passo algo de bom para eles? Espero que sim. "Professora, isso sim..." O tambor volta a bater.

Passa-se uma semana. Joana disse que sua mãe mudou de idéia. Ela pode ver o pai. Ah! Pégaso também chega a tempo de salvar a Fênix, que, enfim, pode renascer.

Nostalgia musical

Isso sim era música para ouvir, sentir, dançar!